O estudo das doutrinas pedagógicas é um elemento indispensável na formação dos educadores.
Dá-lhes idéias gerais sobre as questões essenciais da Educação, faz-lhes
conhecer o desenvolvimento das Instituições escolares, a evolução dos métodos,
e pelo valor das obras que terão que consultarem mais tarde.
A ciência da educação não é uma ciência a priori. À geração espontânea não existe no mundo intelectual, como não existe no mundo físico.
Todo progresso supõe uma tradição, porque tem um ponto de
partida e esse ponto de partida está necessariamente no passado.
A
pedagogia atual constituiu-se lentamente com as idéias, as experiências dos
sistemas, que apareceram através dos séculos e nas diferentes nações
civilizadas, e que são as mais apropriadas para atingirem o fim que se
propunham, educando os jovens.
Está, portanto intimamente ligada a história da educação. Ambas têm o mesmo domínio, elas se completam e se inspecionam mutualmente.
“O estudo histórico não nos
dispensa de termos uma doutrina, diz M. Rousselot; mas, agindo como uma
bússola, um guia, ajudando-nos a formá-la e nos fornece termos de comparação
para julgarmos o que estabelecemos para nós”.
A história da Pedagogia , além do interesse
que apresenta a todos, nós revela a origem, a evolução, o aperfeiçoamento
incessante dos métodos; faz conhecer a contribuição de cada século para os
progressos do ensino, a influência dos acontecimentos históricos na fundação
das escolas; julga em nome da moral, e de uma sã psicologia, as ideias dos
clássicos da pedagogia , enfim ela recolhe as verdades duradouras, cuja reunião
constitui os elementos duma teoria, se não definitiva da educação, pelo menos
fixada nas suas grandes linhas.
O conhecimento das doutrinas pedagógicas tem como efeito manter mais elevado o ideal dos mestres, abrir-lhes horizontes mais vastos, preservá-los da rotina e conservá-los em guarda contra uma presunção e uma arrogância que lhes seriam funestas.
Se foram precisos longos séculos para
formular um princípio, aperceber-lhe toda a importância, fazer dele judiciosas aplicações,
quão temerário seria para um educador que quisesse contentar-se com as sus
próprias luzes e a sua experiência pessoal.
É fácil verificar; os progressos na arte de ensinar, e não se realizam senão pela introdução, na escola dos princípios e das Leis que decorrem dos grandes escritores pedagógicos.
A prática, é certo, precedeu-a
teoria, mas a teoria reage contra a rotina e fiscaliza os dados da experiência.
A história da pedagogia nos faz conhecer as mais belas páginas dos grandes educadores.
Que proveito não tiramos deste estudo quando nos põe em relação com gênios imortais, como Platão, Santo Agostinho, Descartes, Fénelon; como ilustres benfeitores da mocidade, como Gerson, S. Pedro Fourier, São João Batista de La Salle, Pestalozzi, o Padre Girard, Champagnat, Mons. Dupanloup, S. João Bosco entre outros grandes percussores, que até hoje tem influenciados a muitos, e tem abertos os caminhos para novas descobertas?
O conhecimento das quimeras e dos erros pedagógicos também não é sem proveito, pois contribui para o progresso dos métodos, e o que devemos evitar, e procurar sempre melhorar nos nossos métodos de Ensino e Aprendizagem. O exame das ideias filosóficas não é menos importantes; em cada século, a educação é o eco da Filosofia dominante.
Por trás da Ratio Studiorum e da Campanha de Jesus, já se disse, por trás do Emilio de J. J. Rousseau, aparece toda uma filosofia.
Existem, portanto, relações bem estreitas entre a filosofia e a Pedagogia; de uma doutrina materialista, por exemplo, é difícil deduzir princípios de educação religiosa.
Eis por que é necessário conhecer as
bases sobre o que certos educadores têm edificado os seus sistemas, a fim de
não se deixar ofuscar pelos aspectos brilhantes que as suas concepções
apresentam.
Fonte: História da Pedagogia-Autor: L. Ruboulet.
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Obrigada; Teresa Gomes