segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO;SEGUNDA PARTE.



O Livro de Hilda - ensino da leitura pelo processo analítico pertence ao acervo pessoal da família Köpke e se encontra atualmente no grupo de pesquisa "Alfabetização, Leitura e Escrita"- ALLE/F

Vejamos algumas histórias criadas para três outras cartilhas analíticas, a título de exemplificação. A partir de uma estampa, este é primeiro texto criado por Roca Dordal (1902, p. 216) em sua Cartilha Moderna: "Eu vi a ave./A ave voa./Vovô vê a ave./ Viva o vovô!/A Eva vê a uva./ Vovô viu o ovo? /Viu, e eu vi a ave./O Ivo é viúvo?/É. O Ivo é viúvo". Também este é o primeiro texto da Cartilha Analítica, de Arnaldo Barreto (1930, p. 7): "Eu vejo um menino./ Este menino chama-se Paulo./ Paulo tem uma bola./ Vocês estão vendo a bola? A bola é azul". A Lição 1 da cartilha de Maria Guilhermina Loureiro de Andrade (1894, p. 5) é a seguinte: "O menino,/ O gato./ Vejo./ Eu./ Vê/ Um/ É. / E. / O menino vê o gato./ O gato vê o menino./ Eu vejo o gato./ Eu vejo o menino./".

Köpke (1902a), em carta dirigida a J. De Britto e R. Roca Dordal, defende-se da crítica feita por esses professores ao seu método analítico. Argumentando a favor de seu método, ele cria um texto para as estampas propostas na primeira lição de Cartilha Moderna. Descontando ligações bastante forçadas entre o texto e as estampas que são (pelo menos para nós, hoje) totalmente desconexas - criança que sai do ovo, vovô, vinho, cacho de uva, ovo grande, passarinho -, podemos dizer que temos uma apresentação descritiva dos personagens e de suas ações, disposta em um "enredo" coerente e sequencial. Uma história que o autor propõe como interessante porque composta "em palestra, alegremente" (Köpke, 1902a, p. 775), com palavras do vocabulário dos aprendizes, ainda que limitada pela imposição das estampas e da brevidade do espaço para expor seu método.Em Portugal, a letra vertical (ou "redonda") ganhou força pós-Primavera Marcelista (1926-1930), com reformas de António Granjo e Carneiro Pacheco enfatizando higiene e simplicidade. Cadernos graduados promoviam traços livres primeiro (retas, círculos), depois letras isoladas e cursivas verticais, com ênfase em uniformidade via repetição seriada e canetas especiais, alinhando-se a modelos franceses como Sevin.​

Cartilhas brasileiras que recomendavam a letra vertical

Vários cadernos brasileiros da década de 1930 a 1950 recomendavam explicitamente a caligrafia vertical como parte das reformas educacionais modernas e higiênicas. Principais Cartilhas
Cartilha do Povo (Lourenço Filho, Melhoramentos, anos 1930-1950): Promoveu a escrita cursiva vertical através de exercícios progressivos (linhas retas, ovais, laços), enfatizando o movimento muscular para uma caligrafia uniforme e legível na página 38 da edição de 1954. Cartilha Upa, Cavalinho!  (Série Pedrinho, Lourenço Filho): Formação de letras verticais ilustradas com exercícios rítmicos, alinhando-se aos princípios escolanovistas. Série Caligrafia Vertical (Francisco Viana, início dos anos 1900-1980): Os cadernos enfatizavam as vantagens da verticalidade, como uniformidade e clareza, com tiragens anuais superiores a 600.000 na década de 1940. Contexto
Esses materiais mudaram de caligrafia inclinada para estilos verticais, apoiando a saúde postural e a precisão mecânica na educação pública. Esses materiais mudaram de estilos inclinados de cobre para estilos verticais, apoiando a saúde postural e a precisão semelhante a máquinas na educação pública.

 

A divisão silábica no método de João de Deus segue uma progressão intuitiva-palavral, iniciando com sons iniciais e famílias silábicas graduais (ex.: MA-ME-MI-MO-MU), oferecendo vantagens didáticas comprovadas pela sua durabilidade centenária.​

Vantagens Didáticas

Naturalidade fonética: Liga diretamente a fala cotidiana à escrita, usando sílabas familiares para análise espontânea pela criança, promovendo consciência fonológica sem memorização mecânica.

Progressão controlada: Apresenta dificuldades linguísticas em doses graduais, facilitando autocorreção e metacognição em grupos pequenos, com lições curtas que respeitam ritmos individuais.

Integração sensorial: Combina visão, audição e grafomotricidade, acelerando fluência leitora-escrita ao associar sílabas a palavras reais, gerando prazer e autonomia precoce.​

Impacto Prático

Essa abordagem evita confusões silábicas arbitrárias, tornando a alfabetização ativa e prazerosa, o que explica sua adoção oficial em Portugal (1882) e persistência em 55 centros educativos atuais.​

Como aplicar exercícios práticos de divisão silábica em sala de aula

 

CORRIDA DAS SÍLABAS | ATIVIDADE LÚDICA para trabalhar as sílabas

Aula 12: Exercícios de separação de sílabas

Exercícios práticos de divisão silábica em sala de aula seguem o método intuitivo-palavral de João de Deus, iniciando com palavras familiares e progredindo por famílias silábicas graduais para fixar consciência fonológica de forma ativa e prazerosa.​

Atividades Iniciais (Reconhecimento Oral)

Apresente palavras do cotidiano (ex.: "mãe", "pão") e peça que crianças batam palmas ou levantem dedos por sílaba: "mãe" (1 palma), "ca-sa" (2 palmas). Divida em grupos pequenos para repetição rítmica com gestos.

Use "karaokê silábico": Cante palavras exagerando sílabas (ex.: "MA-MÃE"), com cartões coloridos destacando a tônica.​

Exercícios Geométricos e Gráficos (Progressão Escrita)

Série de traços: Inicie com retas verticais → ovais → curvas, formando letras isoladas (M-A), depois sílabas ligadas (MA-ME-MI). Copie em cadernos com postura muscular (antebraço).

Roleta de famílias: Gire e forme palavras reais (ex.: MA → mão, mamá), escrevendo verticalmente e autocorrigindo em duplas.​

Aplicação Lúdica e Avaliação

Corrida de sílabas: Escreva palavras em cartões; equipes dividem oralmente e graficamente, ganhando pontos por precisão fonética.

Jogo de famílias graduais: Complete frases com sílabas faltantes (ex.: "A ___ vai à ___" → mãE, feiRa), integrando leitura e escrita vertical.​

Exemplos de palavras progressivas por grau de dificuldade

No método de João de Deus, palavras progressivas seguem uma gradação por número de sílabas e complexidade fonética, iniciando com sons familiares e famílias silábicas graduais (ex.: MA-ME-MI-MO-MU) para desenvolver fluência intuitiva.​

Grau 1: Monossílabas (Sons Iniciais)

Palavras curtas e cotidianas para reconhecimento oral-visual:

Mãe, pão, sol, lua, mão.

Grau 2: Dissílabas Simples (Famílias Básicas)

Introduz ditongos e consoantes iniciais suaves:

Casa, mesa, bola, gato, lupa.

Grau 3: Trissílabas (Sílabas Complexas Iniciais)

Adiciona "r", "l" e vogais abertas:

Escola, sorvete, martelo, vestido, esperto.

Grau 4: Polissílabas (Ligação Fluida)

Palavras longas com sílabas mistas para ritmo vertical:

Matemática, estrela, periquito, churrasco.​​

Aplicação Prática

Use em fichas progressivas: leia → bata palmas por sílaba → escreva verticalmente → forme frases, ajustando por ritmo individual em grupos de 3-4 alunos.​

Exemplos de atividades para cada nível de palavras progressivas

Atividades práticas para palavras progressivas seguem a gradação do método de João de Deus, adaptando níveis por sílabas e complexidade fonética para desenvolver consciência silábica de forma intuitiva e lúdica em sala de aula.​

Grau 1: Monossílabas (ex.: mãe, pão)

Palma sonora: Diga a palavra; crianças batem uma palma e repetem exagerando o som inicial ("MÃE!"). Em duplas, criam rimas simples (mãe-pão).

Caça-palavras: Cartões com imagens; localizam e colam em mural vertical, traçando letra inicial com dedo.​

Grau 2: Dissílabas (ex.: ca-sa, me-sa)

Roleta silábica: Gire seta para sílaba inicial (CA-) e final (-SA); formam palavra, batem duas palmas e escrevem em quadro branco vertical.

Corrida de sílabas: Equipes correm para dividir oralmente ("ca-SA"), colando ímãs de sílabas no quadro.​

Grau 3: Trissílabas (ex.: es-co-la)

Jogo da memória silábica: Cartões com sílabas mistas (ES-CO-LA); pares viram e montam palavra, lendo em voz alta com três palmas.

História em cadeia: Inicia com "escola"; próxima criança adiciona palavra trissílaba rimada, escrevendo coletivamente em faixa vertical.​

Grau 4: Polissílabas (ex.: mate-má-ti-ca)

Quebra-cabeça fonético: Palavra desmontada em sílabas; grupos remonta, conta sílabas com estalos e copia verticalmente com postura muscular.

Roda rítmica: Cantam palavra batendo ritmo silábico (ma-tema-TI-ca), evoluindo para frase completa ("Eu estudo matemática").​

Práticas Escolares: João de Deus  iniciava com palavras familiares faladas/orais (ex.: nomes próprios), evoluindo para escrita por imitação sem silabação explícita, usando cartilha Cartilha Maternal. Aulas focavam repetição imitativa e fala natural, criticada por Köpke por confundir inteligência infantil e ignorar frases completas.​

Diferenças Práticas

Aspecto

Köpke ​

João de Deus ​

Ponto Inicial

Imagem + frase narrativa contextual

Palavra isolada falada/imitada

Atividade Aula

Ciclos visuais-textuais (10 passos)

Repetição oral-palavra → escrita direta

Foco Professor

Mediação narrativa e prazer

Imitação direta da fala natural

Crítica Mútua

Mais lógico e frasal

Errôneo por subestimar estrutura frase

João de Deus ainda tem a sua escola aberta até hoje em Portugal

Sim, várias instituições ligadas ao nome e método de João de Deus mantêm-se abertas e ativas em Portugal até hoje.​

 KÖPKE, João. A leitura analytica (1Ş. parte - Conferência proferida em 01 de março de 1896). Revista de Ensino, São Paulo, v. 9, n.1, p. 13-16, 1910.

· KÖPKE, João. Crítica sobre os trabalhos escolares. Revista de Ensino, São Paulo, anno II, 2, n. 6, p. 589-596, fev. 1904.

· KÖPKE, João. Ensino da leitura. Carta aos professores J. de Brito e R. Roca Dordal. Revista de Ensino, São Paulo, v. 2, n. 4, p. 773-793, 1902a.

· KÖPKE, João. Ensino da leitura. Revista de Ensino, São Paulo, n. 6, anno I, p. 1.1751.196, fev. 1903.

· KÖPKE, João. O Livro de Hilda pelo processo analytico 1902b. (Manuscrito).

· KÖPKE, João. Tres conferencias: Educação Moral e Cívica; A Idea de Patria; O Ensino da Leitura São Paulo: O Estado. (Secção de Obras), 1916. 115 p.

· MORTATTI, Maria do Rosário Longo. João Köpke. In: FÁVERO, M. de L. de A; BRITO, J. de M. (Org.). Dicionário de educadores no Brasil: da colônia aos dias atuais. Rio de Janeiro: UFRJ, 2002.

· MORTATTI, Maria Rosário Longo. Os sentidos da alfabetização (São Paulo - 1876/1994). São Paulo: Editora da Unesp; Brasília: MEC/Inep/Conped, 2000.

· PANIZZOLO, Cláudia. João Köpke e a escola republicana: criador de leituras, escritor da modernidade. Tese (Doutorado em Educação) - Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, PUC, São Paulo, 2006.





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Obrigada; Teresa Gomes

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