Jean Jacques Rousseau (1.712-1778)
Neste artigo iremos falar sobre a vida e a obra de Rousseau, e também das críticas severas que ele teve por parte dos seus amigos.
Jean-Jacques Rousseau não teve uma formação académica formal como outros filósofos de sua época. Na verdade, sua vida escolar foi bastante irregular:
Nasceu em Genebra (1712) e perdeu a mãe logo depois do parto.
O pai, relojoeiro, o ensinou a ler desde pequeno, e Rousseau teve contato precoce com clássicos como Plutarco, mas sua educação foi caseira e autodidata.
Foi aprendiz de gravador, mas abandonou.
Viveu como secretário, preceptor, copista de música e funcionário público, sempre aprendendo sozinho.
Só mais tarde, por conta própria, mergulhou em leituras de filosofia, música e política.
Ou seja, Rousseau nunca frequentou uma universidade nem teve uma formação académica sistemática. Ele é um filósofo autodidata, o que explica em parte seu estilo: muito original, mas também contraditório e, às vezes, pouco fundamentado em métodos rigorosos.
Rousseau era um homem profundamente revoltado e ressentido — com a sociedade, com as instituições, com a religião e até com os próprios colegas intelectuais. Isso transparece muito no Emílio, que não soa como um manual equilibrado de educação, mas como um manifesto cheio de críticas e idealizações.
Rousseau foi grandemente influenciado por Locke e através dele, ele se ligou a Rabelais e a Montaigne. Esse parentesco espiritual dispõe a edificar sobre o naturalismo a sua doutrina da Educação. Não iremos nos aprofundar demasiadamente sobre a sua vida, um tanto conhecida por todos.
Digamos somente que a sua educação foi muito má, e que depois levou, na mocidade, uma vida de aventura, segundo seus amigos toda a sua carreira é estranha, ele trabalhou como escrevente, aprendiz de gravador, lacaio, seminarista, músico, escritor, fez amarga experiência da vida, do ponto de vista religioso, renega alternadamente o Protestantismo e o catolicismo, antes de adotar o deísmo dos filósofos.
Ele era muito orgulhoso, e isso o tornou arisco e muito desconfiado. Ofendeu todos os seus protetores por sua suscetibilidade. Apesar das suas relações com a sociedade polida, ficou constrangido em suas maneiras e vulgar em seus sentimentos. Ostentou rusticidade, até seus debates com os filósofos, com as autoridades religiosas e civis desenvolveram sua misantropia e caiu em acesso de profunda melancolia.
Morreu na casa de M. Girardin, em Ermenonville, torturado pela mania de perseguição, parece que a sua vida foi muito conturbada. As críticas a Rousseau foram realmente muito severas, embora ele tenha falado muitas vezes sobre virtudes e fazia apelo as pessoas para terem consciência sobre esse assunto, ele estava muito longe de ser um homem virtuoso, ele não tinha estima pela sua esposa, não tece amor aos seus filhos, não teve reconhecimentos pelos benfeitores, e nem consigo mesmo, e por isso era duramente criticado.
Obras Pedagógicas.
O Emílio, romance Filosófico (1.762 ).Rousseau já escrevera um Projeto para a Educação , foi muito criticado na época, diziam que ele era cheio de ideias singulares, e cheirava a Libra (dinheiro).Diziam também que os Títulos de Rousseau, para escrever um tratado de educação , eram muito fracos; sua educação deplorável, e que tinha resquício da malandragem da sua mocidade, seu procedimento frequentemente escandaloso, um homem que teve a coragem de abandonar seus próprios filhos, para muitos não tinha autoridade nenhuma em discutir como mestre, essas matérias tão delicadas.
Rousseau mesmo sofrendo intensa critica, ele resolveu que iria escrever o seu tratado de educação.
E devia necessariamente conceber segundo ele, a educação como a arte de respeitar na criança, a natureza, de o deixar desenvolver -se a vontade, contentando se como defende-lo da perniciosa influência das convivências sociais, ele tinha o dever de colocar todas as suas ideias nesse tratado de educação, pois a sua própria-experiência de veda-lhe fornecia esses argumentos e o tipo de alunos que ele queria que fosse educado, de preferência aqueles que sempre viveram á margem da sociedade, fora da família e do colégio.
O Emílio foi escrito em 1.762, Rousseau anunciava o nestes termos: “Resta-me publicar uma espécie de tratado de educação cheio das minhas fantasias costumeiras”.
Segundo ele, trata -se de um novo sistema de educação cujo plano ofereço ao exame de todos os entendidos no assunto e não um método para os pais e mães, em que nunca foi o meu objetivo.
A obra se divide em cinco livros:
Livro 1. Trata dos primeiros anos da criança, Rousseau isola a criança para a proteger contra tudo que o rodeia, até dos seus próprios pais, para que não os encham de mimos e venha a manifestar atitudes que seja desaprovadas.Nesse livro contém também ensinamentos sobre higiene, cuidados físicos, os deveres dos pais, considerações sobre os gritos, e se os pais não souberem educar, que procurem um mestre encarregado dessa parte.
Livro 2 .Dois dois ao doze anos. Aonde Rousseau trabalha muito sobre a necessidade da Educação física, dos jogos muito bem escolhidos e bem orientados, fala da necessidade da liberdade, e enfatiza que todas crianças devem terem sentimentos de dependência.
.Essa educação se faz n sobretudo no campo, pela ginástica, natação e cultivo dos sentimentos. Não lhe darão lições formais, instruir-se a pela observação da natureza e com lições das coisas. Não lerá livros, e evitará sobretudo fazer-lhe aprender as fábulas de La Fontaine.
È brincando que adquirirá seus primeiros conhecimentos: leitura, escrita, história, geografia e línguas .O preceptor, sem o dar a perceber , preparará o meio no qual Emílio deve achar um ensino, uma lição moral.
A emulação será cuidadosamente banida, “jamais deve haver comparação com outros alunos”, nada de rivalidade, nem em corridas e jogos. Nenhum educador sério levará ao pé da letra tudo o que Rousseau escreveu, mais o autor de Emílio é coerente consigo mesmo, e quer uma educação solitária, empregar a emulação seria a mesma coisa que destruir o sistema que ele criou.Um dos seus maiores erros foi o de nunca falar de Deus, e muitos se perguntava o que seria do Emílio ao atingir doze anos?
Livro 3 Dos doze aos quinze anos. Emílio estudará. "trata-se atualmente de saber o que ele aprenderá e como será ensinado, nessa idade ele pode ler o Livro de Robinson Crusoé, a história do homem segundo a natureza.
Qual será o programa de instrução?, Rousseau coloca em primeiro plano , as ciências físicas, e em particular a astronomia. Esta ciência é útil, no sentido positivo da palavra?, pode elevar a alma , mas a quem, se o aluno ainda não conhece Deus, o criador do Universo. Emílio estudará geografia, mas praticamente pelas viagens, Para que mapas, globos, esferas?
Comecem por mostrar -lhe o próprio objeto, confessemos que este método é irrealizável e que Rousseau é utopista.
Nada de gramáticas que se subtraiu a corrupção dos homens, estudaria suas ações. Aos dezoito anos , Emílio poderá ler Plutarco, antes desta idade a história poderia falsear seu juízo.
Mas o preceptor não está ali para retificá-lo?
Aos quinze anos , Emílio conhecerá pouca coisa, pois ignorará a história, a literatura, as línguas, ignorará seus deveres e seus destinos. Em compensação , saberá um ofício, o de marceneiro. Mostrará , com isso-que o trabalho é um dever estrito, ao qual ninguém poderá deixar de lado, a não ser que se tenha uma grande fortuna.
Livro 4 .Dos quinze aos vinte anos Emílio tornará um ser amoroso e sensível, formado seu corpo , seus sentidos, seu entendimento, falta formar -lhe o seu coração.
Livro 5. A última parte do romance é consagrado a educação de Sofia, destinada a ser esposa de Emílio. Será criada pela família e sua instrução será das mais sumárias. A mulher instruída , segundo Rousseau é o flagelo do marido, dos filhos, e da família.
Todos os estudos serão baseados na utilidade doméstica, ela deve ser virtuosa, meiga, dócil e elegante.
Segundo os críticos da época, as ideias de Emílio foram muito grandes, ele leva as coisas ao extremo, e a educação é negativa, pois deixa o menino por si só
. As consequências dessa educação são numerosas, pois o menino terá o direito de incriminar os pais ou os mestres que não interfiram para corrigir a sua educação quando jovem.
Criticas severas , mas justas foram feitas a esse livro, o cardeal Gerdil e o padre Blanchard lhe assinalaram os erros e os sofismo, e provocou grande ruído, muitos o criticaram pelas suas ideias anti-religiosas, anti-socias.
O que hoje se chama de neutralidade, a falta de religião na escola, está no germe de Emílio, que está contido no sistema de Educação de Rousseau.
Bibliografia; Rousseau,, 33ª ED, P.243.PARIS, (1.891)
Historie critique des doctrines pédagogiques, vol. II. J. j. Rousseau et L´EDUCATION DE LA NATURE.
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Obrigada; Teresa Gomes