A suprema arte do professor é despertar a alegria na expressão criativa do conhecimento, dar liberdade para que cada estudante desenvolva sua forma de pensar e entender o mundo, assim criamos pensadores, cientistas e artistas que expressarão em seus trabalhos aquilo que aprenderam com seus mestres." (Albert Einstein)
A Turma do Fundão: Indisciplina ou um Novo Jeito de Aprender?
Durante décadas, a sala de aula foi organizada de forma quase simbólica: na frente, os alunos considerados mais atentos, disciplinados e “exemplares”; no fundo, aqueles vistos como desinteressados, conversadores ou até problemáticos. Assim nasceu um rótulo que atravessa gerações: a famosa “turma do fundão”.
Mas será que essa divisão ainda faz sentido? Será que os alunos do fundão são, de fato, menos interessados — ou apenas aprendem de forma diferente?
Essa reflexão tem ganhado força dentro da Psicologia da Educação e nos convida a repensar conceitos profundamente enraizados no ambiente escolar.
O mito do aluno silencioso
Por muito tempo, o “bom aluno” foi definido como aquele que permanece em silêncio, copia tudo e raramente questiona. Esse modelo tradicional de ensino, centrado na transmissão de conteúdo, valoriza a disciplina e a obediência como sinais de aprendizagem.
No entanto, essa ideia começa a ser questionada por grandes teóricos da educação.
O psicólogo suíço Jean Piaget já afirmava que o conhecimento não é simplesmente absorvido, mas construído ativamente pelo sujeito. Ou seja, aprender envolve pensar, questionar, interagir e até errar.
Sob essa perspectiva, o silêncio absoluto não é necessariamente sinal de aprendizagem — pode ser apenas passividade.
A força da interação social
Outro nome fundamental nessa discussão é Lev Vygotsky, que destacou o papel do outro no processo de aprendizagem. Para ele, o conhecimento se desenvolve nas interações sociais, por meio do diálogo, da troca de ideias e da colaboração.
A chamada “turma do fundão”, muitas vezes criticada por conversar durante as aulas, pode estar — em determinados contextos — participando de um processo rico de construção coletiva do conhecimento.
É ali, entre comentários, dúvidas e explicações informais, que muitos alunos organizam seu pensamento e aprofundam sua compreensão.
O diálogo como caminho educativo
No contexto brasileiro, Paulo Freire trouxe uma crítica profunda ao modelo de ensino tradicional, que ele chamou de “educação bancária” — aquela em que o professor deposita conteúdos e o aluno apenas recebe.
Freire defendia uma educação baseada no diálogo, na participação ativa e no pensamento crítico. Para ele, o aluno não deve ser um sujeito passivo, mas protagonista do seu processo de aprendizagem.
Nesse sentido, a inquietação e até mesmo a conversa em sala podem ser vistas não como ameaça, mas como sinais de envolvimento.
Emoção, vínculo e aprendizagem
O psicólogo francês Henri Wallon também contribui para essa reflexão ao destacar a importância das emoções no desenvolvimento humano.
Segundo Wallon, o aprendizado está profundamente ligado ao ambiente afetivo. Alunos que se sentem à vontade, integrados ao grupo e emocionalmente seguros tendem a aprender melhor.
A “turma do fundão”, muitas vezes formada por grupos de amigos, pode representar justamente esse espaço de conforto emocional — o que favorece, e não impede, a aprendizagem.
Nem tudo é positivo: o necessário equilíbrio
Apesar dessas contribuições teóricas, é importante evitar uma visão romantizada do fundão. Nem toda conversa é produtiva, e nem todo comportamento é justificável.
Quando a interação:
Prejudica a concentração,
Desrespeita o professor,
Ou atrapalha outros alunos,
Ela deixa de ser um recurso de aprendizagem e passa a ser um obstáculo.
O desafio, portanto, não é eliminar a participação dos alunos, mas orientá-la de forma construtiva.
Um novo olhar sobre a sala de aula
Talvez o maior problema não esteja na “turma do fundão”, mas na rigidez de um modelo educacional que ainda valoriza um único tipo de comportamento como ideal.
A realidade é que existem diferentes perfis de alunos:
Os mais introspectivos,
Os mais participativos,
Os que aprendem ouvindo,
E os que aprendem falando.
Reconhecer essa diversidade é essencial para uma educação mais inclusiva e eficaz.
A “turma do fundão” não deve ser vista apenas como um problema disciplinar, mas como um fenómeno que revela a complexidade do processo de aprendizagem.
Entre risos, conversas e trocas, pode existir algo muito mais profundo: a construção ativa do conhecimento.
Talvez seja hora de substituir o julgamento pela escuta, e a repressão pela compreensão.
Porque, no fim das contas, a pergunta mais importante não é:
Lawrence Stenhouse: O Educador que Transformou a Teoria
em Estratégia Curricular
1.
Introdução
Lawrence Stenhouse (1926–1982)
foi um dos mais influentes pensadores da educação no século XX. Seu trabalho
destacou-se principalmente na área de teoria do currículo e pesquisa
educacional, defendendo que o currículo não deveria ser apenas um documento
fixo imposto pelas autoridades educacionais, mas um processo vivo,
construído e testado na prática pelos professores.
Stenhouse acreditava que a
educação deveria estimular o pensamento crítico, a investigação e a autonomia
intelectual dos estudantes. Para ele, a escola deveria ser um espaço de experimentação
pedagógica, onde professores atuassem como pesquisadores de sua própria
prática.
2.
Contexto Histórico e Intelectual
Stenhouse desenvolveu suas ideias
no contexto da renovação educacional europeia da segunda metade do século XX.
Durante esse período, havia um grande debate sobre a função da escola, o papel
do professor e a construção do currículo.
Ele trabalhou no Centre for
Applied Research in Education (CARE) da Universidade de East Anglia, na
Inglaterra, onde desenvolveu projetos voltados à inovação pedagógica.
Suas ideias dialogam com outros
pensadores da educação que defendiam práticas pedagógicas mais investigativas,
como:
John Dewey
Jean Piaget
Jerome Bruner
Assim como esses autores,
Stenhouse defendia uma educação centrada no processo de aprendizagem, e
não apenas nos resultados.
3. A
Concepção de Currículo
Uma das maiores contribuições de
Stenhouse foi sua visão inovadora sobre o currículo.
Tradicionalmente, o currículo era
visto como:
um conjunto de conteúdos
definidos previamente;
um programa rígido;
um guia que o professor deveria
simplesmente seguir.
Stenhouse propôs algo muito
diferente.
Para ele, o currículo deveria ser
entendido como uma hipótese pedagógica, que precisa ser testada,
analisada e aperfeiçoada na prática.
Ele definiu currículo como:
“Uma tentativa de comunicar os
princípios e características essenciais de uma proposta educativa, de forma
aberta à crítica e capaz de ser traduzida na prática. ”
Isso significa que o currículo:
Não é definitivo;
Pode ser adaptado;
Deve ser investigado pelos
professores.
4. O
Professor como Pesquisador
Uma das ideias mais
revolucionárias de Stenhouse foi a noção de professor pesquisador.
Ele acreditava que o professor
não deveria ser apenas um transmissor de conteúdos ou um executor de programas
educacionais. Pelo contrário, o professor deveria:
Investigar sua prática
pedagógica;
Analisar os resultados de suas
estratégias;
Adaptar métodos conforme a
realidade dos alunos.
Assim, o professor torna-se autor
do processo educativo.
Essa concepção valorizou
profundamente a profissão docente e transformou a forma como muitos educadores
passaram a enxergar seu papel na escola.
5. O
Movimento da Pesquisa-Ação
Stenhouse também incentivou o uso
da pesquisa-ação na educação.
Nesse modelo:
O professor observa um problema
pedagógico.
Desenvolve uma estratégia para
resolvê-lo.
Aplica essa estratégia na sala de
aula.
Analisa os resultados.
Ajusta a prática pedagógica.
Esse ciclo permite que a prática
educativa seja constantemente aperfeiçoada.
A pesquisa-ação tornou-se uma
metodologia muito utilizada na formação de professores e em projetos
pedagógicos inovadores.
6. A
Transformação da Teoria em Estratégia
Uma das características mais
marcantes do trabalho de Stenhouse foi sua preocupação em transformar teoria
educacional em prática real de sala de aula.
Ele defendia que muitas teorias
pedagógicas permaneciam apenas no plano acadêmico, sem impacto real na
educação.
Para resolver esse problema, ele
propôs:
Experimentação curricular;
Participação ativa dos professores;
Avaliação constante das práticas.
Assim, as teorias educacionais
deixariam de ser apenas conceitos abstratos e passariam a se tornar estratégias
pedagógicas concretas.
7. O
Projeto Humanities Curriculum Project
Um dos projetos mais conhecidos
de Stenhouse foi o Humanities Curriculum Project, desenvolvido na década
de 1960.
Esse projeto tinha como objetivo
ensinar temas sociais complexos aos estudantes, como:
Religião
Política
Valores morais
Conflitos sociais
A proposta era trabalhar esses
temas por meio de:
Debates
Investigação
Análise crítica
Diferentes pontos de vista
O professor atuava como mediador
do diálogo, e não como dono da verdade.
Esse projeto tornou-se um marco
na educação crítica e investigativa.
8.
Principais Obras
Entre suas obras mais importantes
destaca-se:
An
Introduction to Curriculum Research and Development (1975)
Nesse livro, Stenhouse apresenta
sua teoria do currículo como processo investigativo e propõe uma nova forma de
pensar o planejamento educacional.
A obra influenciou profundamente
os estudos curriculares em vários países.
9.
Contribuições para a Educação Contemporânea
As ideias de Stenhouse continuam
muito atuais. Suas contribuições influenciam áreas como:
Formação de professores
Pesquisa educacional
Inovação curricular
Pedagogia investigativa
Entre seus principais legados
estão:
Valorização da autonomia docente
Currículo como processo dinâmico
Professor como pesquisador
Integração entre teoria e prática
Esses princípios continuam
presentes em muitas propostas educacionais modernas.
Lawrence Stenhouse foi um
educador que revolucionou a forma de pensar o currículo e o papel do professor.
Ao defender que o currículo deve ser investigado e desenvolvido na prática, ele
aproximou a teoria educacional da realidade das salas de aula.
Sua proposta de transformar o
professor em pesquisador de sua própria prática contribuiu para
valorizar a profissão docente e promover uma educação mais reflexiva, crítica e
inovadora.
Mesmo décadas após sua morte,
suas ideias continuam inspirando educadores que acreditam em uma escola viva,
aberta à investigação e comprometida com o desenvolvimento intelectual dos
estudantes.
Na Inglaterra existe uma Escola
que ensina as pessoas a fazerem Currículos Escolares entre outros.
Sim, na Inglaterra existe uma
instituição muito conhecida que trabalha exatamente com estudos sobre
currículo, formação de professores e desenvolvimento educacional.
Uma das mais importantes é o University
of East Anglia, onde trabalhou o educador Lawrence Stenhouse.
Centre
for Applied Research in Education (CARE)
Dentro dessa universidade existiu
um centro muito influente chamado Centre for Applied Research in Education.
Esse centro ficou famoso porque:
Pesquisava como desenvolver
currículos escolares
Estudava novas metodologias de
ensino
Formava professores para criar
e avaliar programas educacionais
Incentivava o professor a ser pesquisador
da própria prática
Foi nesse ambiente que Stenhouse
desenvolveu muitas de suas ideias sobre currículo como processo
investigativo.
O que
eles ensinavam
Nos programas de formação, os
educadores aprendiam a:
Planejar currículos escolares
Testar novas estratégias
pedagógicas
Avaliar resultados educacionais
Transformar teoria pedagógica em
prática
Ou seja, exatamente aquilo que
você mencionou: ensinar professores a construir currículos educacionais.
Influência
no mundo
Essas ideias influenciaram muitos
países e dialogam com outros grandes pensadores da educação, como:
John Dewey
Jerome Bruner
Jean Piaget
Hoje, muitos cursos de Pedagogia,
Psicopedagogia e formação docente utilizam princípios inspirados nesses
estudos.
Curiosidade
O próprio livro mais famoso de
Stenhouse,
An Introduction to Curriculum Research and Development, foi baseado nas experiências desenvolvidas nesse centro de pesquisa.
Hoje vamos conhecer o educador francês que
revolucionou o ensino tradicional: Célestin Freinet.”
Quem foi Célestin Freinet?
Nasceu na França em 1896.
Foi professor primário.
Lutou na Primeira Guerra Mundial e voltou com
sequelas pulmonares, o que dificultava aulas longas e expositivas.
Essa limitação o levou a buscar métodos mais ativos
e participativos.
Ele não aceitava uma escola baseada apenas na
memorização e na repetição mecânica.
As Principais Práticas Pedagógicas
Aulas-Passeio
Freinet levava os alunos para fora da sala de aula
para observar:
A natureza
A comunidade
O trabalho das pessoas
A realidade social
Depois, os alunos produziam textos baseados nessas
experiências.
Aprender partindo da vida real.
Jornal de Classe
Os alunos escreviam textos livres.
Esses textos eram revisados coletivamente.
Eram impressos em uma pequena tipografia escolar.
O jornal era compartilhado com outras escolas.
Aqui nasce a ideia de comunicação, autoria e
cooperação.
Texto Livre
O aluno escreve sobre o que deseja.
Depois o grupo escolhe um texto.
Faz revisão coletiva.
Trabalha gramática a partir do texto real.
Nada de exercícios artificiais — tudo parte da
experiência da criança.
A Escola Popular, Moderna e Democrática
Freinet defendia:
Escola pública de qualidade
Participação dos alunos nas decisões
Conselho de classe com voz ativa
Cooperação em vez de competição
Trabalho coletivo
Ele acreditava que a escola deveria formar cidadãos
críticos e conscientes.
5. Influências e Relações
Freinet dialoga com o movimento da Escola Nova,
assim como:
John Dewey (aprendizagem pela experiência)
Maria Montessori (autonomia da criança)
Ovide Decroly (centros de interesse)
Mas ele tem um diferencial: forte compromisso
social e político.
6. Atualidade de Freinet
Hoje vemos Freinet presente em:
Metodologias ativas
Aprendizagem baseada em projetos
Educação democrática
Escolas cooperativas
Você pode provocar seu público:
“Será que nossas escolas realmente ouvem os alunos?
”
Atualidade da Pedagogia Freinet:
Hoje vemos sua influência em :Metodologias ativas ,Aprendizagem baseada em Projetos,Educação democrática e Escolas cooperativas
Freinet permanece atual porque defendia algo
essencial: a escola precisa ouvir a criança
Princípios e Técnicas Pedagógicas:
Freinet valoriza o trabalho, a livre expressão, registros coletivos e a comunicação
espontânea, usando técnicas como a imprensa escolar e o livro da vida.
Freire destaca a pedagogia do oprimido, a leitura do mundo, o diálogo, a problematização e a conscientização como caminho para a libertação e transformação social.
Educação Transformadora e Participativa:
Ambas as pedagogias defendem o papel do educador como facilitador, que promove a pesquisa , a experimentação e a reflexão , estimulando o protagonismo do aluno.
Enfatizam a importância do método dialógico, da prática pedagógica contextualizada e do envolvimento afetivo na construção do conhecimento.
Gestão Escolar Inspirada em Freinet:
Propõe a escuta ativa, o trabalho em equipe, a valorização das experiências dos
profissionais e a organização de espaços de aprendizagem colaborativos.
Destaca a importância de saídas de estudo, intercâmbios, registros históricos e a criação de redes de cooperação para fortalecer a gestão democrática.
Planejamento e Avaliação Dialógica:
Ressalta a necessidade de planejar a educação de forma participativa, considerando os valores sociais e culturais.
Defende uma avaliação contínua, formativa e reflexiva, que valorize o processo e
o protagonismo dos educandos e educadores.
A Importância do Conhecimento do Mundo e das Janelas de Oportunidades :
Estudos neurocientíficos evidenciam a influência das experiências iniciais na
formação de sinapses cerebrais e no desenvolvimento de habilidades.
Destaca-se a importância de estímulos na primeira infância, com períodos
específicos onde o aprendizado é mais eficaz, como linguagem e música.
Educação, Cultura e Mudança Social:
Paulo Freire reforça que a educação deve responder às marcas e valores da
sociedade, promovendo mudança e resistência às práticas tradicionais.
Propõe uma pedagogia que integra teoria e prática, com foco na relação
dialógica, na pesquisa e na ação transformadora, visando a emancipação social.
História do planejamento educacional:
Modelos centralizadores e autoritários, influenciados pela administração científica de Taylor, marcaram a educação por muito tempo.
Diversas tradições de administração, como burocrática e neoclássica, priorizavam eficácia, eficiência e clima organizacional, enquanto a abordagem dialógica valoriza valores culturais, políticos e o contexto.
Planejamento dialógico e participação coletiva:
O planejamento na escola deve ser dialogado, envolvendo toda a comunidade escolar, com foco na tomada de decisões democráticas.
A atividade de planejar é humana, coletiva e responsável, com sujeitos que planejam, executam e avaliam suas ações, sem delegar a decisão a especialista
Projeto eco-político-pedagógico (PEPP)
Processo coletivo que amplia relações humanas na escola, promovendo intercâmbios, eventos e ações que
fortalecem a convivência e a identidade escolar.
Enfatiza a educação ambiental e sustentabilidade, resinificando práticas e valores, e promovendo mudanças sociais e ambientais na comunidade escolar.
Participação e gestão democrática na escola:
A gestão democrática deve envolver toda a comunidade escolar, fortalecendo conselhos, grêmios e associações de pais e mestres.
A elaboração do PEPP deve ser transparente, com objetivos de curto, médio e longo prazo, respeitando o ritmo e as vivências locais.
Educação ambiental e sustentabilidade:
O PEPP valoriza a relação com o ecossistema, promovendo práticas sustentáveis e a conscientização sobre a preservação ambiental.
A escola deve atuar como espaço de transformação, promovendo ações que envolvam a comunidade na preservação do planeta.
Pedagogia Freinet na alfabetização:
Enfatiza a participação ativa das crianças, com uso de jornais, livros da vida e projetos que conectam a escrita às experiências reais.
A aprendizagem ocorre de forma natural, contextualizada e significativa, valorizando a autonomia, cooperação e expressão livre.
Psicopedagogia e aprendizagem:
Investiga as formas de aprender de cada sujeito e as causas das dificuldades, promovendo a escolarização e autonomia.
Destaca que dificuldades de aprendizagem muitas vezes refletem estilos de ensino incompatíveis com os estilos de expressão livre.
Importância da afetividade na educação:
A afetividade é fundamental para o desenvolvimento da inteligência, valores humanos e ética.
O olhar sensível do professor e o clima de respeito promovem a formação de vínculos positivos e a construção de uma aprendizagem significativa.
Desenvolvimento motor na Educação Infantil:
O movimento é a primeira linguagem do bebê para conhecer o mundo e desenvolver suas competências.
O ambiente deve ser estimulante, seguro e organizado com materiais acessíveis para promover a exploração motora e o desenvolvimento integral.
Desenvolvimento Motor na Educação Infantil:
A importância do movimento para o desenvolvimento e aprendizagem do bebê, incluindo ações como erguer a cabeça, rolar, engatinhar e explorar o espaço.
Alternativas seguras, como eliminar cercados e berços, promovendo atividades que estimulam o corpo e a percepção corporal.
Orientações para Apoio à Marcha e Movimento:
Apoio adequado ao bebê na aprendizagem da marcha, segurando pelas mãos na posição correta, evitando segurar pelos punhos ou antebraços.
A exploração do espaço e o desenvolvimento de movimentos mais complexos, como correr e saltar, ampliam a autonomia e o conhecimento do próprio corpo.
Uso de Recursos Pedagógicos e Expressão Corporal:
Espelhos, fotos e brincadeiras com gestos auxiliam na percepção de si e na aprendizagem da linguagem corporal.
Atividades como dança, músicas e brincadeiras antigas estimulam a expressão artística e o domínio do corpo.
Limites, Disciplina e Educação Sócio emocional
A importância de estabelecer limites desde cedo para promover o respeito às regras, valores e a socialização.
A influência do ambiente familiar e a necessidade de exemplos positivos para o desenvolvimento de comportamentos adequados.
Educação Inclusiva e Diversidade:
A necessidade de práticas pedagógicas que promovam a inclusão de alunos com transtornos e necessidades especiais.
Seminários e cursos abordam aspectos legais, neurológicos e estratégias de implementação na escola.
Formação e Capacitação de Educadores:
Diversos cursos, seminários e congressos oferecem formação contínua em psicopedagogia, inclusão, educação infantil e tecnologias educacionais.
A valorização do diálogo, pesquisa e inovação na prática pedagógica para aprimorar a aprendizagem.
O Educador acreditava que a inteligência, os atos científicos e artísticos não
deveriam ser explorados como filosofia tradicional através de ideias, mas
pela criação livre, pelo trabalho artesanal e também pela pesquisa experimental.
Apontava, desse modo, para a necessidade de uma nova escola.
. Nasce, assim, a “Pedagogia Freinet”, fundamentada na ousadia, na
insatisfação, no estudo e no compromisso com uma democracia popular em
uma escola que possibilitava aos alunos a construção dos instrumentos
necessários a sua emancipação. Nessa perspectiva, Freinet deixava muito
claro a serviço de quem ele trabalhava. Assumia uma posição política em
defesa dos direitos do ser humano e do exercício pleno de cidadania
Célestin Freinet nos ensina que a educação não
é mera transmissão de conteúdos. É construção coletiva, é vida, é participação.
Sua pedagogia continua sendo um convite à
transformação da escola tradicional em um espaço de diálogo, cooperação e
democracia.
Referências Sugeridas;
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional. Lei nº 9.394, de 20.12.1996. ELIAS, Marisa Del Cioppo (org.).
Pedagogia Freinet: teoria e prática. 7.ed. Campinas: Papirus, 1996. ______.
Célestin Freinet: uma pedagogia da atividade e cooperação. Petrópolis/RJ: Vozes,
2008. ELIAS, Marisa Del Cioppo. De Emílio a Emília: a trajetória da prática da
alfabetização. São Paulo: Scipione, 2000. FREINET, Célestin. A educação do
trabalho. São Paulo: Martins Fontes, 1998. ______. Pedagogia do Bom Senso.
São Paulo: Martins Fontes, 1985. ______. Para uma escola do povo: guia prático
para a organização material, técnica e pedagógica da escola popular. São Paulo:
Martins Fontes, 1995. FREINET, Elise. Nascimento de uma pedagogia popular.
Lisboa/Portugal: Estampa, 1987. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia:
saberes necessários à prática educativa. 6.ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.
______. Pedagogia do Oprimido. 6. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.
Falar de Henri Wallon é falar de uma concepção de educação que integra emoção, inteligência e movimento. Médico, psicólogo e filósofo francês, Wallon foi um dos grandes pensadores do desenvolvimento infantil no século XX.
Sua teoria rompeu com visões fragmentadas da criança e propôs uma compreensão global do ser humano, influenciando profundamente a Psicologia da Educação e a Pedagogia contemporânea.
1. A Criança como Ser Total
Para Wallon, a criança não pode ser compreendida apenas pelo aspectos cognitivo. Ela é, antes de tudo, um ser integral.
O desenvolvimento infantil ocorre por meio da interação dinâmica entre quatro campos funcionais:
Afetividade
Movimento
Inteligência
Formação do eu (pessoa)
Esses elementos não atuam isoladamente. Pelo contrário, interagem continuamente. A emoção, por exemplo, não é um obstáculo à aprendizagem, mas seu ponto de partida.
O bebê se comunica inicialmente pelo choro, pelo sorriso e pelos gestos. A afetividade é o primeiro vínculo com o mundo.
2. A Importância da Afetividade
Um dos maiores diferenciais de Wallon foi valorizar o papel das emoções no processo educativo.
Para ele, o desenvolvimento começa no campo afetivo. A emoção é uma forma primitiva de comunicação social.
Na escola, isso significa que não existe aprendizagem sem vínculo. O professor não é apenas transmissor de conteúdos, mas mediador de relações.
Um ambiente acolhedor favorece o desenvolvimento intelectual.
Essa perspectiva dialoga com outros teóricos da educação, como Jean Piaget, que enfatizou os estágios do desenvolvimento cognitivo, e Lev Vygotsky, que destacou a importância do meio social.
Contudo, Wallon diferencia-se ao colocar a afetividade como eixo estruturante do desenvolvimento.
3. Estágios do Desenvolvimento Segundo Wallon
Wallon organizou o desenvolvimento infantil em estágios que alternam predominância entre afetividade e inteligência:
Estágio impulsivo-emocional (0 a 1 ano)
Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos)
Estágio do personalismo (3 a 6 anos)
Estágio categorial (6 a 11 anos)
Estágio da adolescência
Esses estágios não são rígidos. O desenvolvimento é marcado por crises e conflitos, que são motores de crescimento.
A oposição da criança pequena, por exemplo, é um momento importante de construção da identidade.
4. Wallon e a Educação
Henri Wallon não foi apenas teórico. Ele também atuou politicamente na reforma educacional francesa, defendendo uma escola pública, laica e democrática. Participou da elaboração do projeto Langevin-Wallon, que propunha uma educação mais humana e igualitária na França do pós-guerra.
Para ele, a escola deve considerar:
O desenvolvimento emocional da criança
A importância do corpo e do movimento
A dimensão social da aprendizagem
O respeito às fases do desenvolvimento
A prática pedagógica, nessa perspectiva, precisa ser dinâmica, relacional e sensível às necessidades da criança.
5. O Educador Integral
Chamar Wallon de “educador integral” significa reconhecer sua visão ampla da formação humana. Ele não separa mente e corpo, razão e emoção, indivíduo e sociedade. Sua proposta antecipa debates atuais sobre educação sócio emocional, inclusão e desenvolvimento integral.
Em tempos em que a educação muitas vezes se reduz a resultados e desempenho, a teoria walloniana nos lembra que educar é formar pessoas completas — capazes de pensar, sentir, agir e conviver.
Vou explicar de forma clara e aprofundada como se desenvolvem os cinco estágios segundo Henri Wallon, destacando o que predomina em cada fase e como isso impacta a educação.
Wallon afirma que o desenvolvimento não é linear e tranquilo. Ele acontece por alternância de predominância — ora a afetividade está em destaque, ora a inteligência. Há crises, conflitos e reorganizações internas. Isso é saudável e necessário.
1 Estágio Impulsivo-Emocional (0 a 1 ano)
Como se dá?
O bebê vive essencialmente no campo da emoção e do movimento reflexo.
Ele ainda não diferencia claramente o “eu” do “outro”.
A comunicação acontece por:
Choro
Sorrisos
Expressões corporais
Tônus muscular
A emoção é o primeiro elo social. O bebê depende totalmente do outro para sobreviver e se organizar.
Papel da escola (educação infantil)
Vínculo afetivo é essencial
Segurança emocional favorece o desenvolvimento
O corpo é a principal forma de expressão
Aqui predomina a afetividade.
2. Estágio Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos)
Como se dá?
A criança começa a:
Andar
Manipular objetos
Explorar o ambiente
Surge a inteligência prática. Ela aprende fazendo.
A linguagem começa a se estruturar, ampliando a relação com o mundo.
Característica central
A criança projeta suas ações no mundo. O pensamento ainda está ligado à ação concreta.
Implicação pedagógica
Brincadeiras corporais
Exploração de objetos
Atividades sensoriais
Aqui predomina a inteligência prática, mas ainda muito ligada ao corpo.
Estágio do Personalismo (3 a 6 anos)
Esse é um dos mais interessantes!
Como se dá?
A criança começa a construir sua identidade.
É a fase do:
“Eu faço! ”
“É meu! ”
Oposição aos adultos
Surge a necessidade de afirmação.
Wallon divide esse estágio em três momentos:
Oposição
Sedução (busca aprovação)
. Imitação
A criança quer ser reconhecida.
3 Implicação pedagógica
Respeitar a individualidade
Valorizar a expressão
Trabalhar regras de convivência
Aqui volta a predominar a afetividade.
4. Estágio Categorial (6 a 11 anos)
Como se dá?
Agora a criança entra no mundo das categorias mentais.
Ela começa a:
Classificar
Comparar
Organizar conceitos
Desenvolver pensamento lógico
A escola tem papel fundamental aqui.
A curiosidade intelectual se amplia. A criança busca compreender como as coisas funcionam.
Implicação pedagógica
Organização do conhecimento
Ensino sistematizado
Atividades que envolvam lógica e análise
Aqui predomina a inteligência cognitiva.
5 Estágio da Adolescência
Como se dá?
É uma fase de grande crise e reorganização.
O jovem:
Questiona valores
Busca identidade
Vive intensamente emoções
Há um conflito entre:
Mundo interno
Expectativas sociais
O pensamento abstrato se desenvolve mais profundamente.
Implicação pedagógica
Espaço para debate
Escuta ativa
Projetos que envolvam protagonismo
Aqui há nova predominância da afetividade, mas integrada ao pensamento abstrato.
O ponto central
Para Wallon, o desenvolvimento é dialético.
Não é uma escada linear como propôs Jean Piaget.
É um movimento de tensão entre emoção e razão, corpo e mente, indivíduo e sociedade.
Isso faz de Wallon um verdadeiro educador integral.
Quadro Comparativo – Estágios do Desenvolvimento segundo Henri Wallon
Estágio
Idade Aproximada
Predominância
Características Principais
Implicações Pedagógicas
Impulsivo-Emocional
0 – 1 Ano
Afetividade
Emoções intensas; comunicação pelo choro, sorriso e gestos; dependência do outro; ausência de diferenciação clara entre eu e mundo