domingo, 22 de março de 2026

A Turma do Fundão


 A Turma do Fundão: Indisciplina ou um Novo Jeito de Aprender?

   Durante décadas, a sala de aula foi organizada de forma quase simbólica: na frente, os alunos considerados mais atentos, disciplinados e “exemplares”; no fundo, aqueles vistos como desinteressados, conversadores ou até problemáticos. Assim nasceu um rótulo que atravessa gerações: a famosa “turma do fundão”.

  Mas será que essa divisão ainda faz sentido? Será que os alunos do fundão são, de fato, menos interessados — ou apenas aprendem de forma diferente?

  Essa reflexão tem ganhado força dentro da Psicologia da Educação e nos convida a repensar conceitos profundamente enraizados no ambiente escolar.

  O mito do aluno silencioso

  Por muito tempo, o “bom aluno” foi definido como aquele que permanece em silêncio, copia tudo e raramente questiona. Esse modelo tradicional de ensino, centrado na transmissão de conteúdo, valoriza a disciplina e a obediência como sinais de aprendizagem.

  No entanto, essa ideia começa a ser questionada por grandes teóricos da educação.

  O psicólogo suíço Jean Piaget já afirmava que o conhecimento não é simplesmente absorvido, mas construído ativamente pelo sujeito. Ou seja, aprender envolve pensar, questionar, interagir e até errar.

  Sob essa perspectiva, o silêncio absoluto não é necessariamente sinal de aprendizagem — pode ser apenas passividade.

  A força da interação social

  Outro nome fundamental nessa discussão é Lev Vygotsky, que destacou o papel do outro no processo de aprendizagem. Para ele, o conhecimento se desenvolve nas interações sociais, por meio do diálogo, da troca de ideias e da colaboração.

  A chamada “turma do fundão”, muitas vezes criticada por conversar durante as aulas, pode estar — em determinados contextos — participando de um processo rico de construção coletiva do conhecimento.

  É ali, entre comentários, dúvidas e explicações informais, que muitos alunos organizam seu pensamento e aprofundam sua compreensão.

  O diálogo como caminho educativo

  No contexto brasileiro, Paulo Freire trouxe uma crítica profunda ao modelo de ensino tradicional, que ele chamou de “educação bancária” — aquela em que o professor deposita conteúdos e o aluno apenas recebe.

  Freire defendia uma educação baseada no diálogo, na participação ativa e no pensamento crítico. Para ele, o aluno não deve ser um sujeito passivo, mas protagonista do seu processo de aprendizagem.

  Nesse sentido, a inquietação e até mesmo a conversa em sala podem ser vistas não como ameaça, mas como sinais de envolvimento.

   Emoção, vínculo e aprendizagem

  O psicólogo francês Henri Wallon também contribui para essa reflexão ao destacar a importância das emoções no desenvolvimento humano.

  Segundo Wallon, o aprendizado está profundamente ligado ao ambiente afetivo. Alunos que se sentem à vontade, integrados ao grupo e emocionalmente seguros tendem a aprender melhor.

 A “turma do fundão”, muitas vezes formada por grupos de amigos, pode representar justamente esse espaço de conforto emocional — o que favorece, e não impede, a aprendizagem.

    Nem tudo é positivo: o necessário equilíbrio

  Apesar dessas contribuições teóricas, é importante evitar uma visão romantizada do fundão. Nem toda conversa é produtiva, e nem todo comportamento é justificável.

 Quando a interação:

 Prejudica a concentração,

 Desrespeita o professor,

 Ou atrapalha outros alunos,

 Ela deixa de ser um recurso de aprendizagem e passa a ser um obstáculo.

 O desafio, portanto, não é eliminar a participação dos alunos, mas orientá-la de forma construtiva.

Um novo olhar sobre a sala de aula

Talvez o maior problema não esteja na “turma do fundão”, mas na rigidez de um modelo educacional que ainda valoriza um único tipo de comportamento como ideal.

  A realidade é que existem diferentes perfis de alunos:

 Os mais introspectivos,

 Os mais participativos,

 Os que aprendem ouvindo,

 E os que aprendem falando.

 Reconhecer essa diversidade é essencial para uma educação mais inclusiva e eficaz.

 A “turma do fundão” não deve ser vista apenas como um problema disciplinar, mas como um fenómeno que revela a complexidade do processo de aprendizagem.

 Entre risos, conversas e trocas, pode existir algo muito mais profundo: a construção ativa do conhecimento.

 Talvez seja hora de substituir o julgamento pela escuta, e a repressão pela compreensão.

 Porque, no fim das contas, a pergunta mais importante não é:

“Onde o aluno está sentado? ”

 Mas sim:

 “Como ele está aprendendo? ”

segunda-feira, 16 de março de 2026

O grande educador: Lawrence Stenhouse


 

Lawrence Stenhouse: O Educador que Transformou a Teoria em Estratégia Curricular

1. Introdução

   Lawrence Stenhouse (1926–1982) foi um dos mais influentes pensadores da educação no século XX.    Seu trabalho destacou-se principalmente na área de teoria do currículo e pesquisa educacional, defendendo que o currículo não deveria ser apenas um documento fixo imposto pelas autoridades educacionais, mas um processo vivo, construído e testado na prática pelos professores.

   Stenhouse acreditava que a educação deveria estimular o pensamento crítico, a investigação e a autonomia intelectual dos estudantes. Para ele, a escola deveria ser um espaço de experimentação pedagógica, onde professores atuassem como pesquisadores de sua própria prática.

2. Contexto Histórico e Intelectual

  Stenhouse desenvolveu suas ideias no contexto da renovação educacional europeia da segunda metade do século XX. Durante esse período, havia um grande debate sobre a função da escola, o papel do professor e a construção do currículo.

  Ele trabalhou no Centre for Applied Research in Education (CARE) da Universidade de East Anglia, na Inglaterra, onde desenvolveu projetos voltados à inovação pedagógica.

  Suas ideias dialogam com outros pensadores da educação que defendiam práticas pedagógicas mais investigativas, como:

John Dewey

Jean Piaget

Jerome Bruner

  Assim como esses autores, Stenhouse defendia uma educação centrada no processo de aprendizagem, e não apenas nos resultados.

3. A Concepção de Currículo

Uma das maiores contribuições de Stenhouse foi sua visão inovadora sobre o currículo.

Tradicionalmente, o currículo era visto como:

um conjunto de conteúdos definidos previamente;

um programa rígido;

um guia que o professor deveria simplesmente seguir.

Stenhouse propôs algo muito diferente.

  Para ele, o currículo deveria ser entendido como uma hipótese pedagógica, que precisa ser testada, analisada e aperfeiçoada na prática.

Ele definiu currículo como:

“Uma tentativa de comunicar os princípios e características essenciais de uma proposta educativa, de forma aberta à crítica e capaz de ser traduzida na prática. ”

  Isso significa que o currículo:

  Não é definitivo;

  Pode ser adaptado;

  Deve ser investigado pelos professores.

 

4. O Professor como Pesquisador

  Uma das ideias mais revolucionárias de Stenhouse foi a noção de professor pesquisador.

  Ele acreditava que o professor não deveria ser apenas um transmissor de conteúdos ou um executor de programas educacionais. Pelo contrário, o professor deveria:

 Investigar sua prática pedagógica;

  Analisar os resultados de suas estratégias;

  Adaptar métodos conforme a realidade dos alunos.

  Assim, o professor torna-se autor do processo educativo.

  Essa concepção valorizou profundamente a profissão docente e transformou a forma como muitos educadores passaram a enxergar seu papel na escola.

5. O Movimento da Pesquisa-Ação

  Stenhouse também incentivou o uso da pesquisa-ação na educação.

Nesse modelo:

  O professor observa um problema pedagógico.

  Desenvolve uma estratégia para resolvê-lo.

  Aplica essa estratégia na sala de aula.

  Analisa os resultados.

  Ajusta a prática pedagógica.

Esse ciclo permite que a prática educativa seja constantemente aperfeiçoada.

 A pesquisa-ação tornou-se uma metodologia muito utilizada na formação de professores e em projetos pedagógicos inovadores.

6. A Transformação da Teoria em Estratégia

  Uma das características mais marcantes do trabalho de Stenhouse foi sua preocupação em transformar teoria educacional em prática real de sala de aula.

  Ele defendia que muitas teorias pedagógicas permaneciam apenas no plano acadêmico, sem impacto real na educação.

  Para resolver esse problema, ele propôs:

Experimentação curricular;

Participação ativa dos professores;

Avaliação constante das práticas.

  Assim, as teorias educacionais deixariam de ser apenas conceitos abstratos e passariam a se tornar estratégias pedagógicas concretas.

7. O Projeto Humanities Curriculum Project

  Um dos projetos mais conhecidos de Stenhouse foi o Humanities Curriculum Project, desenvolvido na década de 1960.

  Esse projeto tinha como objetivo ensinar temas sociais complexos aos estudantes, como:

Religião

Política

Valores morais

Conflitos sociais

  A proposta era trabalhar esses temas por meio de:

Debates

Investigação

Análise crítica

Diferentes pontos de vista

  O professor atuava como mediador do diálogo, e não como dono da verdade.

   Esse projeto tornou-se um marco na educação crítica e investigativa.

8. Principais Obras

  Entre suas obras mais importantes destaca-se:

    An Introduction to Curriculum Research and Development (1975)

  Nesse livro, Stenhouse apresenta sua teoria do currículo como processo investigativo e propõe uma nova forma de pensar o planejamento educacional.

  A obra influenciou profundamente os estudos curriculares em vários países.

9. Contribuições para a Educação Contemporânea

  As ideias de Stenhouse continuam muito atuais. Suas contribuições influenciam áreas como:

  Formação de professores

  Pesquisa educacional

  Inovação curricular

  Pedagogia investigativa

  Entre seus principais legados estão:

  Valorização da autonomia docente

 Currículo como processo dinâmico

  Professor como pesquisador

  Integração entre teoria e prática

  Esses princípios continuam presentes em muitas propostas educacionais modernas.

  Lawrence Stenhouse foi um educador que revolucionou a forma de pensar o currículo e o papel do professor. Ao defender que o currículo deve ser investigado e desenvolvido na prática, ele aproximou a teoria educacional da realidade das salas de aula.

  Sua proposta de transformar o professor em pesquisador de sua própria prática contribuiu para valorizar a profissão docente e promover uma educação mais reflexiva, crítica e inovadora.

  Mesmo décadas após sua morte, suas ideias continuam inspirando educadores que acreditam em uma escola viva, aberta à investigação e comprometida com o desenvolvimento intelectual dos estudantes.

  Na Inglaterra existe uma Escola que ensina as pessoas a fazerem Currículos Escolares entre outros.

  Sim, na Inglaterra existe uma instituição muito conhecida que trabalha exatamente com estudos sobre currículo, formação de professores e desenvolvimento educacional.

 Uma das mais importantes é o University of East Anglia, onde trabalhou o educador Lawrence Stenhouse.

Centre for Applied Research in Education (CARE)

Dentro dessa universidade existiu um centro muito influente chamado Centre for Applied Research in Education.

Esse centro ficou famoso porque:

 Pesquisava como desenvolver currículos escolares

 Estudava novas metodologias de ensino

 Formava professores para criar e avaliar programas educacionais

 Incentivava o professor a ser pesquisador da própria prática

 Foi nesse ambiente que Stenhouse desenvolveu muitas de suas ideias sobre currículo como processo investigativo.

  O que eles ensinavam

 Nos programas de formação, os educadores aprendiam a:

 Planejar currículos escolares

 Testar novas estratégias pedagógicas

  Avaliar resultados educacionais

  Transformar teoria pedagógica em prática

  Ou seja, exatamente aquilo que você mencionou: ensinar professores a construir currículos educacionais.

Influência no mundo

 Essas ideias influenciaram muitos países e dialogam com outros grandes pensadores da educação, como:

 John Dewey

 Jerome Bruner

 Jean Piaget

 Hoje, muitos cursos de Pedagogia, Psicopedagogia e formação docente utilizam princípios inspirados nesses estudos.

Curiosidade

  O próprio livro mais famoso de Stenhouse,
  An Introduction to Curriculum Research and Development, foi baseado nas experiências desenvolvidas nesse centro de pesquisa.

segunda-feira, 9 de março de 2026

O Grande Educador:" Célestin Freinet.”



Hoje vamos conhecer o educador francês que revolucionou o ensino tradicional: Célestin Freinet.”

    Quem foi Célestin Freinet?

  Nasceu na França em 1896.

  Foi professor primário.

   Lutou na Primeira Guerra Mundial e voltou com sequelas pulmonares, o que dificultava aulas longas e expositivas.

  Essa limitação o levou a buscar métodos mais ativos e participativos.

  Ele não aceitava uma escola baseada apenas na memorização e na repetição mecânica.

   As Principais Práticas Pedagógicas

  Aulas-Passeio

  Freinet levava os alunos para fora da sala de aula para observar:

  A natureza

 A comunidade

 O trabalho das pessoas

 A realidade social

 Depois, os alunos produziam textos baseados nessas experiências.

 Aprender partindo da vida real.

Jornal de Classe

 Os alunos escreviam textos livres.

Esses textos eram revisados coletivamente.

Eram impressos em uma pequena tipografia escolar.

O jornal era compartilhado com outras escolas.

Aqui nasce a ideia de comunicação, autoria e cooperação.

Texto Livre

 O aluno escreve sobre o que deseja.
Depois o grupo escolhe um texto.

 Faz revisão coletiva.

Trabalha gramática a partir do texto real.

 Nada de exercícios artificiais — tudo parte da experiência da criança.

  A Escola Popular, Moderna e Democrática

Freinet defendia:

Escola pública de qualidade

Participação dos alunos nas decisões

Conselho de classe com voz ativa

Cooperação em vez de competição

Trabalho coletivo

Ele acreditava que a escola deveria formar cidadãos críticos e conscientes.

5. Influências e Relações

Freinet dialoga com o movimento da Escola Nova, assim como:

John Dewey (aprendizagem pela experiência)

Maria Montessori (autonomia da criança)

Ovide Decroly (centros de interesse)

Mas ele tem um diferencial: forte compromisso social e político.

6. Atualidade de Freinet

Hoje vemos Freinet presente em:

Metodologias ativas

Aprendizagem baseada em projetos

Educação democrática

Escolas cooperativas

Você pode provocar seu público:

“Será que nossas escolas realmente ouvem os alunos? ”

     Atualidade da Pedagogia Freinet:

    Hoje vemos sua influência em :Metodologias ativas ,Aprendizagem baseada em Projetos, Educação democrática e   Escolas cooperativas 

   Freinet permanece atual porque defendia algo essencial: a escola precisa ouvir a criança

Princípios e Técnicas Pedagógicas:

  Freinet valoriza o trabalho, a livre expressão, registros coletivos e a comunicação

espontânea, usando técnicas como a imprensa escolar e o livro da vida.

  Freire destaca a pedagogia do oprimido, a leitura do mundo, o diálogo, a problematização e a conscientização como caminho para a libertação e transformação social.

    Educação Transformadora e Participativa:

  Ambas as pedagogias defendem o papel do educador como facilitador, que promove a pesquisa , a experimentação e a reflexão , estimulando o protagonismo do aluno.

  Enfatizam a importância do método dialógico, da prática pedagógica contextualizada e do envolvimento afetivo na construção do conhecimento.

  Gestão Escolar Inspirada em Freinet:

  Propõe a escuta ativa, o trabalho em equipe, a valorização das experiências dos

profissionais e a organização de espaços de aprendizagem colaborativos.

 Destaca a importância de saídas de estudo, intercâmbios, registros históricos e a criação de redes de cooperação para fortalecer a gestão democrática.

  Planejamento e Avaliação Dialógica:

  Ressalta a necessidade de planejar a educação de forma participativa, considerando os valores sociais e culturais.

  Defende uma avaliação contínua, formativa e reflexiva, que valorize o processo e

o protagonismo dos educandos e educadores.

   A  Importância do Conhecimento do Mundo e das Janelas de Oportunidades :

  Estudos neurocientíficos evidenciam a influência das experiências iniciais na

formação de sinapses cerebrais e no desenvolvimento de habilidades.

  Destaca-se a importância de estímulos na primeira infância, com períodos

específicos onde o aprendizado é mais eficaz, como linguagem e música.

  Educação, Cultura e Mudança Social:

    Paulo Freire reforça que a educação deve responder às marcas e valores da

sociedade, promovendo mudança e resistência às práticas tradicionais.

   Propõe uma pedagogia que integra teoria e prática, com foco na relação

dialógica, na pesquisa e na ação transformadora, visando a emancipação social.

História do planejamento educacional:

  Modelos centralizadores e autoritários, influenciados pela administração científica de Taylor, marcaram a  educação por muito tempo.

  Diversas tradições de administração, como burocrática e neoclássica, priorizavam eficácia, eficiência e clima organizacional, enquanto a abordagem dialógica valoriza valores culturais, políticos e o contexto.

   Planejamento dialógico e participação coletiva:

  O planejamento na escola deve ser dialogado, envolvendo toda a comunidade escolar, com foco na tomada de decisões democráticas.

 A atividade de planejar é humana, coletiva e responsável, com sujeitos que planejam, executam e avaliam suas ações, sem delegar a decisão a especialista

Projeto eco-político-pedagógico (PEPP)

 Processo coletivo que amplia relações humanas na escola, promovendo intercâmbios, eventos e ações que

fortalecem a convivência e a identidade escolar.

 Enfatiza a educação ambiental e sustentabilidade, resinificando práticas e valores, e promovendo mudanças sociais e ambientais na comunidade escolar.

   Participação e gestão democrática na escola:

A gestão democrática deve envolver toda a comunidade escolar, fortalecendo conselhos, grêmios e associações de pais e mestres.

A elaboração do PEPP deve ser transparente, com objetivos de curto, médio e longo prazo, respeitando o ritmo e as vivências locais.

  Educação ambiental e sustentabilidade:

  O PEPP valoriza a relação com o ecossistema, promovendo práticas sustentáveis e a conscientização sobre a preservação ambiental.

  A escola deve atuar como espaço de transformação, promovendo ações que envolvam a comunidade na preservação do planeta.

   Pedagogia Freinet na alfabetização:

  Enfatiza a participação ativa das crianças, com uso de jornais, livros da vida e projetos que conectam a escrita às experiências reais.

 A aprendizagem ocorre de forma natural, contextualizada e significativa, valorizando a autonomia, cooperação e expressão livre.

  Psicopedagogia e aprendizagem:

  Investiga as formas de aprender de cada sujeito e as causas das dificuldades, promovendo a escolarização e autonomia.

 Destaca que dificuldades de aprendizagem muitas vezes refletem estilos de ensino incompatíveis com os estilos de expressão livre.

   Importância da afetividade na educação:

  A afetividade é fundamental para o desenvolvimento da inteligência, valores humanos e ética.

 O olhar sensível do professor e o clima de respeito promovem a formação de vínculos positivos e a construção de uma aprendizagem significativa.

  Desenvolvimento motor na Educação Infantil:

 O movimento é a primeira linguagem do bebê para conhecer o mundo e desenvolver suas competências.

  O ambiente deve ser estimulante, seguro e organizado com materiais acessíveis para promover a exploração motora e o desenvolvimento integral.

  Desenvolvimento Motor na Educação Infantil:

  A importância do movimento para o desenvolvimento e aprendizagem do bebê, incluindo ações como erguer a cabeça, rolar, engatinhar e explorar o espaço.

  Alternativas seguras, como eliminar cercados e berços, promovendo atividades que estimulam o corpo e a percepção corporal.

Orientações para Apoio à Marcha e Movimento:

  Apoio adequado ao bebê na aprendizagem da marcha, segurando pelas mãos na posição correta, evitando segurar pelos punhos ou antebraços.

 A exploração do espaço e o desenvolvimento de movimentos mais complexos, como correr e saltar, ampliam a autonomia e o conhecimento do próprio corpo.

  Uso de Recursos Pedagógicos e Expressão Corporal:

  Espelhos, fotos e brincadeiras com gestos auxiliam na percepção de si e na aprendizagem da linguagem corporal.

  Atividades como dança, músicas e brincadeiras antigas estimulam a expressão artística e o domínio do corpo.

Limites, Disciplina e Educação Sócio emocional

 A importância de estabelecer limites desde cedo para promover o respeito às regras, valores e a socialização.

A influência do ambiente familiar e a necessidade de exemplos positivos para o desenvolvimento de comportamentos adequados.

 Educação Inclusiva e Diversidade:

  A necessidade de práticas pedagógicas que promovam a inclusão de alunos com transtornos e necessidades especiais.

Seminários e cursos abordam aspectos legais, neurológicos e estratégias de implementação na escola.

Formação e Capacitação de Educadores:

 Diversos cursos, seminários e congressos oferecem formação contínua em psicopedagogia, inclusão, educação infantil e tecnologias educacionais.

A valorização do diálogo, pesquisa e inovação na prática pedagógica para aprimorar a aprendizagem.

O Educador  acreditava que a inteligência, os atos científicos e artísticos não

deveriam ser explorados como filosofia tradicional através de ideias, mas

pela criação livre, pelo trabalho artesanal e também pela pesquisa experimental.

  Apontava, desse modo, para a necessidade de uma nova escola.

 . Nasce, assim, a “Pedagogia Freinet”, fundamentada na ousadia, na

insatisfação, no estudo e no compromisso com uma democracia popular em

uma escola que possibilitava aos alunos a construção dos instrumentos

necessários a sua emancipação. Nessa perspectiva, Freinet deixava muito

claro a serviço de quem ele trabalhava. Assumia uma posição política em

defesa dos direitos do ser humano e do exercício pleno de cidadania

 Célestin Freinet nos ensina que a educação não é mera transmissão de conteúdos. É construção coletiva, é vida, é participação.

 Sua pedagogia continua sendo um convite à transformação da escola tradicional em um espaço de diálogo, cooperação e democracia.

Referências Sugeridas;

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação

Nacional. Lei nº 9.394, de 20.12.1996. ELIAS, Marisa Del Cioppo (org.).

Pedagogia Freinet: teoria e prática. 7.ed. Campinas: Papirus, 1996. ______.

Célestin Freinet: uma pedagogia da atividade e cooperação. Petrópolis/RJ: Vozes,

2008. ELIAS, Marisa Del Cioppo. De Emílio a Emília: a trajetória da prática da

alfabetização. São Paulo: Scipione, 2000. FREINET, Célestin. A educação do

trabalho. São Paulo: Martins Fontes, 1998. ______. Pedagogia do Bom Senso.

São Paulo: Martins Fontes, 1985. ______. Para uma escola do povo: guia prático

para a organização material, técnica e pedagógica da escola popular. São Paulo:

Martins Fontes, 1995. FREINET, Elise. Nascimento de uma pedagogia popular.

Lisboa/Portugal: Estampa, 1987. FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia:

saberes necessários à prática educativa. 6.ed., Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

______. Pedagogia do Oprimido. 6. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1978.


segunda-feira, 2 de março de 2026

Henri Wallon: O Educador Integral


 

                 

      Falar de Henri Wallon é falar de uma concepção de educação que integra emoção, inteligência e movimento. Médico, psicólogo e filósofo francês, Wallon foi um dos grandes pensadores do desenvolvimento infantil no século XX.

  Sua teoria rompeu com visões fragmentadas da criança e propôs uma compreensão global do ser humano, influenciando profundamente a Psicologia da Educação e a Pedagogia contemporânea.

1. A Criança como Ser Total

    Para Wallon, a criança não pode ser compreendida apenas pelo aspectos cognitivo. Ela é, antes de tudo, um ser integral.

    O desenvolvimento infantil ocorre por meio da interação dinâmica entre quatro campos funcionais:

Afetividade

Movimento

Inteligência

Formação do eu (pessoa)

  Esses elementos não atuam isoladamente. Pelo contrário, interagem continuamente. A emoção, por exemplo, não é um obstáculo à aprendizagem, mas seu ponto de partida.

   O bebê se comunica inicialmente pelo choro, pelo sorriso e pelos gestos. A afetividade é o primeiro vínculo com o mundo.

2. A Importância da Afetividade

Um dos maiores diferenciais de Wallon foi valorizar o papel das emoções no processo educativo.

   Para ele, o desenvolvimento começa no campo afetivo. A emoção é uma forma primitiva de comunicação social.

  Na escola, isso significa que não existe aprendizagem sem vínculo. O professor não é apenas transmissor de conteúdos, mas mediador de relações.

 Um ambiente acolhedor favorece o desenvolvimento intelectual.

   Essa perspectiva dialoga com outros teóricos da educação, como Jean Piaget, que enfatizou os estágios do desenvolvimento cognitivo, e Lev Vygotsky, que destacou a importância do meio social.

    Contudo, Wallon diferencia-se ao colocar a afetividade como eixo estruturante do desenvolvimento.

3. Estágios do Desenvolvimento Segundo Wallon

   Wallon organizou o desenvolvimento infantil em estágios que alternam predominância entre afetividade e inteligência:

Estágio impulsivo-emocional (0 a 1 ano)

Estágio sensório-motor e projetivo (1 a 3 anos)

Estágio do personalismo (3 a 6 anos)

Estágio categorial (6 a 11 anos)

Estágio da adolescência

 Esses estágios não são rígidos. O desenvolvimento é marcado por crises e conflitos, que são motores de crescimento.

A oposição da criança pequena, por exemplo, é um momento importante de construção da identidade.

4. Wallon e a Educação

Henri Wallon não foi apenas teórico. Ele também atuou politicamente na reforma educacional francesa, defendendo uma escola pública, laica e democrática. Participou da elaboração do projeto Langevin-Wallon, que propunha uma educação mais humana e igualitária na França do pós-guerra.

Para ele, a escola deve considerar:

O desenvolvimento emocional da criança

A importância do corpo e do movimento

A dimensão social da aprendizagem

O respeito às fases do desenvolvimento

A prática pedagógica, nessa perspectiva, precisa ser dinâmica, relacional e sensível às necessidades da criança.

5. O Educador Integral

Chamar Wallon de “educador integral” significa reconhecer sua visão ampla da formação humana. Ele não separa mente e corpo, razão e emoção, indivíduo e sociedade. Sua proposta antecipa debates atuais sobre educação sócio emocional, inclusão e desenvolvimento integral.

Em tempos em que a educação muitas vezes se reduz a resultados e desempenho, a teoria walloniana nos lembra que educar é formar pessoas completas — capazes de pensar, sentir, agir e conviver.

Vou explicar de forma clara e aprofundada como se desenvolvem os cinco estágios segundo Henri Wallon, destacando o que predomina em cada fase e como isso impacta a educação.

Wallon afirma que o desenvolvimento não é linear e tranquilo. Ele acontece por alternância de predominância — ora a afetividade está em destaque, ora a inteligência. Há crises, conflitos e reorganizações internas. Isso é saudável e necessário.

1   Estágio Impulsivo-Emocional (0 a 1 ano)

Como se dá?

O bebê vive essencialmente no campo da emoção e do movimento reflexo.

Ele ainda não diferencia claramente o “eu” do “outro”.

A comunicação acontece por:

Choro

Sorrisos

Expressões corporais

Tônus muscular

A emoção é o primeiro elo social. O bebê depende totalmente do outro para sobreviver e se organizar.

 Papel da escola (educação infantil)

Vínculo afetivo é essencial

Segurança emocional favorece o desenvolvimento

O corpo é a principal forma de expressão

Aqui predomina a afetividade.

2. Estágio Sensório-Motor e Projetivo (1 a 3 anos)

Como se dá?

A criança começa a:

Andar

Manipular objetos

Explorar o ambiente

Surge a inteligência prática. Ela aprende fazendo.

A linguagem começa a se estruturar, ampliando a relação com o mundo.

 Característica central

A criança projeta suas ações no mundo. O pensamento ainda está ligado à ação concreta.

 Implicação pedagógica

Brincadeiras corporais

Exploração de objetos

Atividades sensoriais

Aqui predomina a inteligência prática, mas ainda muito ligada ao corpo.

 Estágio do Personalismo (3 a 6 anos)

Esse é um dos mais interessantes!

Como se dá?

A criança começa a construir sua identidade.

É a fase do:

“Eu faço! ”

“É meu! ”

Oposição aos adultos

Surge a necessidade de afirmação.

Wallon divide esse estágio em três momentos:

Oposição

Sedução (busca aprovação)

. Imitação

A criança quer ser reconhecida.

3 Implicação pedagógica

Respeitar a individualidade

Valorizar a expressão

Trabalhar regras de convivência

Aqui volta a predominar a afetividade.

   4. Estágio Categorial (6 a 11 anos)

Como se dá?

Agora a criança entra no mundo das categorias mentais.

Ela começa a:

Classificar

Comparar

Organizar conceitos

Desenvolver pensamento lógico

A escola tem papel fundamental aqui.

A curiosidade intelectual se amplia. A criança busca compreender como as coisas funcionam.

  Implicação pedagógica

Organização do conhecimento

Ensino sistematizado

Atividades que envolvam lógica e análise

Aqui predomina a inteligência cognitiva.

5 Estágio da Adolescência

Como se dá?

É uma fase de grande crise e reorganização.

O jovem:

Questiona valores

Busca identidade

Vive intensamente emoções

Há um conflito entre:

Mundo interno

Expectativas sociais

O pensamento abstrato se desenvolve mais profundamente.

 Implicação pedagógica

Espaço para debate

Escuta ativa

Projetos que envolvam protagonismo

Aqui há nova predominância da afetividade, mas integrada ao pensamento abstrato.

    O ponto central

  Para Wallon, o desenvolvimento é dialético.
  Não é uma escada linear como propôs Jean Piaget.

  É um movimento de tensão entre emoção e razão, corpo e mente, indivíduo e sociedade.

  Isso faz de Wallon um verdadeiro educador integral.

Quadro Comparativo – Estágios do Desenvolvimento segundo Henri Wallon

Estágio

Idade Aproximada

Predominância

Características Principais

Implicações Pedagógicas

Impulsivo-Emocional

0 – 1 Ano

Afetividade

Emoções intensas; comunicação pelo choro, sorriso e gestos; dependência do outro; ausência de diferenciação clara entre eu e mundo

Ambiente acolhedor; segurança emocional; contato físico; estímulos sensoriais

Sensório-Motor e Projetivo

1 – 3 Anos

Inteligência prática

Exploração do ambiente; desenvolvimento da marcha e linguagem; pensamento ligado à ação concreta

Brincadeiras corporais; manipulação de objetos; atividades sensoriais e motoras

Personalismo

3 – 6 Anos

Afetividade

Construção do “eu”; oposição (“fase do não”); busca de reconhecimento; imitação; necessidade de afirmação

Respeito à individualidade; estímulo à expressão; mediação de conflitos; valorização do diálogo

Categorial

6 – 11 Anos

Inteligência cognitiva

Formação de categorias mentais; classificação; organização lógica; interesse pelo conhecimento sistematizado

Ensino estruturado; atividades de análise; desenvolvimento do raciocínio lógico; conteúdos organizados

Adolescência

11 anos em diante

Afetividade + pensamento abstrato

Crise de identidade; questionamentos; emoções intensas; pensamento mais abstrato e crítico

Espaço para debates; protagonismo juvenil; escuta ativa; projetos reflexivos

 Diferente de Jean Piaget, que enfatiza os estágios cognitivos, Wallon integra: Emoção. Corpo, Sociedade e   Inteligência.

   Ele propõe uma formação verdadeiramente integral e mostrou que a criança tem também corpo e emoções, e não apenas cabeças na sala de aula.

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